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TV06/06/2012Com Game of Thrones HBO prova que não tem nenhuma outra emissora que consiga alcançar tamanha qualidade em produçãoConfira o review da segunda temporada da sériePor Rodrigo Ramos Game of Thrones é a série com maior número de fãs que conheço. Muitos destes são fãs da trilogia de Tolkien que, na procura de preencher o vazio em seus corações desde que O Senhor dos Anéis virou filme pelas mãos de Peter Jackson, encontraram na Canção de Gelo e Fogo de George R. R. Martin um substituto. Seria à altura? Particularmente, eu não acredito nisso. Entretanto, vários aclamam a obra literária, assim como a televisiva, esta criada pela HBO.
HBO/divulgação
De fato, um dos principais atrativos da série da HBO é sua produção. O canal pago sempre ofereceu ao público produções de alta qualidade. Todo ano é um passo à frente. Com Game of Thrones, a HBO prova que não tem nenhuma outra emissora que consiga alcançar tamanha qualidade. Com cara de blockbuster, a segunda temporada teve 106 dias de filmagem para chegar aos dez episódios. Isso sem contar com a pós-produção. Um trabalho árduo e com gente qualificada. As belas locações são externas, evitando ao máximo fundos verdes digitais. Para captar as paisagens certas, as equipes viajaram para Islândia, Irlanda do Norte e Croácia. Os takes são magníficos, assim como a fotografia, direção de arte, figurino, entre outros quesitos técnicos.
HBO/divulgação
Game of Thrones tem excelência no nível técnico, sem dúvida dúvida. Não há série na televisão hoje que o bata nestes termos. Os problemas do seriado são outros, o colocando abaixo de vários seriados que estão no ar atualmente, como Homeland, Mad Men, The Killing, Breaking Bad, só para citar alguns.
HBO/divulgação
Criada e produzida por David Benioff e D.B. Weiss, a segunda temporada de Game of Thrones se desenvolve sob a sombra da rápida aproximação do inverno – a estação do corvo branco. Em Porto Real, o desejado Trono de Ferro está ocupado pelo jovem e cruel Joffrey (Jack Gleeson), que recebe conselhos de sua conspiradora mãe Cersei (Lena Headey) e seu tio Tyrion (Peter Dinklage), que foi nomeado como a Mão do Rei.
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O domínio dos Lannister sobre o Trono, no entanto, está sob ataque de várias frentes. Robb Stark (Richard Madden), filho de Ned Stark (Sean Bean), o Senhor de Winterfell, busca autonomia no Norte e tomou o irmão de Cersei, Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), como prisioneiro na batalha. Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) procura manter seu combalido poder no Leste com a ajuda de seus três dragões recém-nascidos. Stannis Baratheon (Stephen Dillane), irmão do falecido Rei Robert, rejeita a legitimidade de Joffrey e faz uma aliança com uma poderosa sacerdotisa para orquestrar um ataque naval. E Renly (Gethin Anthony), o carismático irmão de Stannis, mantém sua ideia de tomar o trono depois de fugir de Porto Real. No meio disso tudo, um novo líder começa a se erguer no selvagem norte da Muralha, acrescentando novas ameaças para Jon Snow (Kit Harington) e a ordem da Patrulha da Noite.
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A essência de Game of Thrones se mantém a mesma. Muitas as traições, alianças são quebradas e novas são feitas, ameaças, sexo, mentiras e planos para tomar o trono. A jornada continua através de belíssimos cenários, como já dito anteriormente, mas a beleza fica por aí. Não há nada de belo nos personagens – especialmente em seus caráteres. Tudo é feito para se ter mais poder e se manter vivo. Ninguém fica de mãos limpas.
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Se o elenco da primeira temporada já era grande, a da segunda não fica pra trás. Muito pelo contrário. Há a introdução de mais de 20 personagens que realmente tem alguma relevância pra trama. Ou seja, anote tudo num bloquinho para não se esquecer. É justamente nesse acréscimo que Game of Thrones acaba escorregando. Como não li a obra literária, não posso julgar a partir dela. O que posso dizer é apenas sobre a série. Nela fica claro que os dez episódios, com quase uma hora de duração cada, não conseguem dar conta de prestigiar devidamente cada personagem. São tantos personagens na tela que fica difícil dar a devida atenção e profundidade pra todos. É um trabalho árduo manter o interesse em tantas tramas paralelas. Talvez, no futuro, elas façam mais sentido juntas (acredito que a intenção seja juntar todas as pontas nas próximas temporadas). Entretanto, da forma que são entregues nesta temporada, elas não conseguem aproximar tanto o espectador à série, a não ser que você seja fã fissurado e já saiba o caminho dos personagens por causa dos livros. Há tantos núcleos distintos aqui que a dinâmica parece relativamente parecida com a de uma novela. Além disso, os papeis não são nada carismáticos, salvo uma ou outra exceção, dificultando a identificação com o público.
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Apesar de não dar conta de desenvolver tão bem os personagens secundários (e alguns principais), há alguns acertos no roteiro. Mesmo com tantas tramas, há coerência nas ideias, que vão se encontrando conforme a série caminha. Esse crédito deve ser dado ao escritor dos livros ao invés dos roteiristas. Também há diálogos épicos e ácidos, a maioria deles lançados por Cersei e, especialmente, Tyrion. Lena Headey não tem o mesmo tempo em tela que no primeiro ano, mas é um dos principais destaques do elenco. E, mais uma vez, Peter Dinklage é o que Game of Thrones reserva de melhor para o espectador. Seu personagem é o que chega mais perto de algo carismático, além de ter as melhores falas, momentos e também o maior talento cênico na série. Se vier mais um Emmy pra ele, será mais do que merecido.
HBO/divulgação
Em outro quesito, às vezes a série dá a impressão de que nada está acontecendo. A lentidão é um fator que pode servir a favor ou contra, dependendo da narrativa. Aqui, é algo negativo. É muito falatório, pouco desenvolvimento e quase nenhuma ação. Muitos episódios sofrem com isso. Sente-se que a série está truncada demais. Com exceção da batalha de Blackwater – ápice tanto do seriado como do livro –, não há muita movimentação. Até a primeira temporada de Mad Men é mais agitada do que isso.
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Como espectador, o que eu quero é me entreter e assistir a uma boa história, com bons personagens. Diferente da ótima primeira, a segunda temporada de Game of Thrones peca nisso. Uma produção caprichada conta bastante, mas não é o suficiente se não houver algo a mais. O segundo ano é confuso, não consegue desenvolver seus personagens com eficiência e perece em ação e boas tramas. Entendo que é complicado transportar tudo o que está no livro pra tela, mas não tenho culpa da complexidade do livro. Game of Thrones é uma série de televisão e deve ser julgada como tal. Sendo assim, ela falha onde muitos seriados, como os citados lá no início do texto, se destacam.
Game of Thrones: Season Two
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