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TV20/06/2012'Smash' retrata os bastidores de uma peça na BroadwayCriada por Theresa Rebeck, série é produzida pela Dreamworks de Steven SpielbergPor Rodrigo Ramos O novo Glee. Glee para adultos. Estas são apenas duas das comparações corriqueiras que surgiram quando Smash apareceu na televisão. Que chatice! É inevitável que o ser humano aplique as comparações em diversas situações. Como ambas são séries musicais, fica difícil escapar dessa. Entretanto, não se engane. Apesar de o gênero ser o mesmo, elas são completamente diferentes, cada uma com suas particularidades.
Dreamworks/divulgação
Produzido pela Dreamworks de Steven Spielberg (produtor executivo) e criado por Theresa Rebeck, Smash tem uma ideia tão boa que nos leva à questão: como ninguém tinha pensado nisso antes? A intenção da série é conseguir retratar os bastidores de uma peça na Broadway. Não é nada dos anos 60, pode ficar tranquilo. A ambientação é atual e tenta se aproximar ao máximo desse mundo, entre aspas, “cruel” por trás das cortinas da Broadway. A trama traz uma peça inspirada na vida de Marilyn Monroe, intitulada “Bombshell”. Timing perfeito, já que loira de Quanto Mais Quente Melhor está mais na moda do que nunca.
Dreamworks/divulgação
A série envolve todas as problemáticas de como se criar um show na Broadway. Somos envolvidos em todos os níveis de produção. Desde a arrecadação de verba para poder bancar o espetáculo, passando pelas composições de roteiro e canções, até a seleção dos candidatos aos papéis e, posteriormente, os ensaios. Smash se sai magnificamente bem em todos estes quesitos. Neste sentido, é um sopro de originalidade, algo que o espectador jamais tinha conhecido de perto. Dá pra se ter uma noção, por exemplo, do que um produtor faz. E na correria da briga pelo papel da protagonista é que a série se sustenta.
Dreamworks/divulgação
Existem diversas vertentes na série. A protagonista é interpretada pela desconhecida do grande público, Katharine McPhee, vice-campeã da quinta edição do American Idol. Ela interpreta Karen Cartwright, uma garota do interior que trabalha como garçonete e ainda possui o sonho de um dia ser uma grande estrela. Sua concorrente, Ivy Lynn (Megan Hilty), já trabalha há algum tempo em peças musicais, no entanto nunca foi a estrela do show, algo que ela cobiça e tenta alcançar ao participar do teste para “Bombshell”. Há outros personagens relevantes, como a produtora do show, a recém-separada Eileen Rand (Anjelica Houston), que mesmo sem dinheiro, luta para manter sua imagem e conseguir criar um espetáculo mesmo sem a ajuda do marido que sempre foi aquele que cuidava dos negócios. Também temos a dupla de roteiristas, Julia Houston (Debra Messing) e Tom Levitt (Christian Borle), além do diretor temperamental da obra, Derek Willis (Jack Davenport), que tem uma rixa antiga com Tom.
Dreamworks/divulgação
Com tantos personagens, a série tem a função de mesclar, de forma decente, os dramas de cada personagem com os bastidores do musical. Os problemas de Karen, por exemplo, vão além de conseguir o papel. Ela larga o emprego, ganhando uma merreca nos ensaios, enquanto ao mesmo tempo acaba se distanciando do noivo Dev (Raza Jaffrey), que aos poucos vai perdendo a paciência com a situação. Ivy, por exemplo, enfrenta seus demônios, especialmente por viver na sombra da mãe (Bernadette Peters), uma consagrada atriz da Broadway e que vive desmerecendo os trabalhos da filha. Indo no drama familiar, também acompanhamos a crise do casamento de Julia. No início da temporada ela e seu marido (Brian d’Arcy James) estão em busca de adotar uma criança, porém o entusiasmo dela em trabalhar no roteiro de “Bombshell” acaba tirando seu foco da adoção. Com o tempo, a situação piora quando ela se enrola com Michael Swift (Will Chase), um dos atores que participará da peça. E aí que começam os problemas amorosos de Smash.
Dreamworks/divulgação
A série, até cerca da metade da temporada, trabalha muito bem todos estes dramas familiares. O problema é quando o seriado deixa de se focar em boas estruturas narrativas para dar atenção em relacionamentos. Todos os personagens possuem algum relacionamento amoroso. Até parece Grey’s Anatomy. E isso não é um elogio, acredite. O elenco de Smash é ótimo e muitos críticos elogiaram o alto nível de produção e atuação. Contudo, a série é de um canal aberto. Inicialmente, a série seria vendida para o canal pago Showtime, mas acabou não dando certo. Um tempo depois, a NBC comprou a ideia e deu vida à ela. E na tevê aberta é assim: ou gera audiência, ou é cancelada. Não necessariamente os programas não possuam a qualidade de um canal fechado, entretanto a liberdade criativa pode sofrer – e muito – com isso. É o caso de Smash, que em busca de uma abrangência em seu público, se viu obrigado a explorar cada vez mais as situações amorosas. Ou seja, brigas, traições, rolos, novos romances, troca de casais e por aí vai. É um infortúnio.
Dreamworks/divulgação
Mesmo com o problema do romance excessivo da metade em diante, a série ainda sai por cima. A intenção inicial dela se mantém intacta apesar do pesares. Além disso, os momentos musicais costumam dar mais gás à ela. Mesclando entre covers de músicas como “Shake it Out” (Florence + the Machine), “Beautiful” (Elvis Costello) e “Crazy Dreams” (Carrie Underwood), e canções inéditas feitas para o musical como “Let Me Be Your Star”, “The 20th Century Fox Mambo” e “History is Made At Night”, o seriado possui uma qualidade musical estupenda, esbanjando criatividade, especialmente quando alterna, durante os números musicais, a realidade com a visão de como seria a canção interpretada no palco.
Dreamworks/divulgação
Na conta final, Smash é uma boa pedida pra quem gosta de musicais e também romances. Esta segunda parte é o que pode incomodar, mas não tira o charme desse musical bem conduzido, sendo uma das atrações mais agradáveis desta temporada.
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