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CINEMA25/06/2012 10:55:50Em Prometheus, Ridley Scott questiona o surgimento da vida em nosso planetaDiretor tenta fazer uma reflexão sobre criação e a destruição; a gênese e o fim; o nascimento e a mortePor Rodrigo Ramos Afinal, de onde viemos? Essa é uma incógnita que não há uma explicação exata. Em Prometheus, Ridley Scott questiona o surgimento da vida em nosso planeta. Religiões e teorias a parte, nem todas as respostas parecem conformar o diretor. Será que o espectador também está conformado em ser a evolução do macaco ou ter surgido através de Adão e Eva porque Deus quis? Scott tenta fazer uma reflexão sobre criação e a destruição; a gênese e o fim; o nascimento e a morte. Ele utiliza a ficção científica como desculpa ou meio para aprofundar nas questões e mexer com as crenças de cada um, tanto dos personagens quanto dos espectadores.
20th Century Fox
A protagonista, Elisabeth Shaw (Noomi Rapace), está focada em descobrir vida além da Terra. Ela acredita nisso fielmente, assim como seu companheiro tanto amoroso quanto do trabalho, Charlie Holloway (Logan Marshall-Green). Ao redor do globo, o mesmo mapa é encontroado em pinturas de diversas culturas ancestrais que nunca tiveram contato umas com as outras. Sendo assim, Shaw e Charlie acreditam que isso seja uma espécie de convite para encontrar um planeta onde a nossa origem seja explicada. A expectativa de Shaw é que eles consigam encontrar vida lá, mais precisamente os nossos criadores. Shaw é um símbolo de fé. Sua persistência é dada pela motivação de seu pai, homem religioso que está constantemente presente em seus sonhos, e de quem possui uma cruz que carrega consigo no peito o tempo todo.
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A expedição é monitorada por Meredith Vickers (Charlize Theron), representante da empresa que está financiando tal atividade. Diferente de Shaw, Vickers não compartilha de tal crença. Para ela, a viagem é uma perda de tempo. Ela crê que nada com vida será achado ali. Em algum momento de sua vida certamente ela perdera sua fé, não conseguindo acreditar em algo além da vida humana. Este é apenas um dos contrastes que Scott cria nesta obra. Toda a tripulação acredita que essa busca irá resultar em nada. É um duelo entre os crentes e os descrentes.
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Como o espectador pode imaginar, a busca resulta em alguma coisa. A questão é: o que se fazer com a verdade? Qual é o custo dela? Para os tripulantes, certamente é um preço alto a se pagar. E o mais interessante é que estas questões são desvendadas por quem menos interessa o assunto. Na realidade, ele prefere absorver o conhecimento antes dos humanos: o andróide David (Michael Fassbender). O robô é quem cuida da tripulação durante a viagem da Terra até o planeta desconhecido. Durante este percurso de mais de dois anos, David se inspira no personagem de Peter O’Toole em Lawrence da Arábia, adotando as atitudes e até mesmo a cor de cabelo do ator. O longa parte de uma perspectiva dele, de certa forma. As principais descobertas são feitas por ele e o mesmo é quem inicia as experiências sem o aval dos demais.
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Uma das melhores coisas da película é Fassbender. O seu papel é irretocável. É evidente a inspiração em HAL 900 de 2001: Uma Odisseia no Espaço. O tom de voz permanece inalterado ao longo de toda a metragem. O robô é tão frio quanto poderia se esperar. A falta de sentimentos e interpretações de reações humanas são interpretadas com primor por ele. Fassbender esboça meio sorriso, tentando soar simpático, mas seus instintos robóticos o impedem de tal demonstração de sentimento. A criatura jamais será igual ao criador e David sabe disso. Em um diálogo no filme, é exposta essa superioridade humana ao lhe perguntarem sobre suas vontades (algo que ele não possui) e o que fará depois das ordens de seu dono forem concluídas. Talvez por inveja, o robô tente se mostrar superior, nem que seja em questão de conhecimento. Ele já é diferente dos demais, mas quer se sentir ainda mais. Ele cobiça poder. Inveja, cobiça, vontades. Coisas que um andróide jamais poderia sentir. Aliás, ele não sente. Por isso mesmo a condição de David é tão interessante e a questão se torna ainda mais provocante.
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Essa mesma robotização é o que o faz testar uma experiência em um dos personagens. Ele questiona: “o que você seria capaz de fazer por isso?”. O personagem lhe responde de volta: “eu faria absolutamente tudo”. Sem conseguir compreender o que seria esse “tudo”, David coloca a vida desse tripulante em risco, assim como as dos demais. Porém, o andróide não consegue entender. Ou consegue. Quem sabe? Talvez ele faça isso para ter mais informações e simplesmente não se importa (de fato, ele não tem como) com a vida daqueles que estão ali ao seu redor.
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Fassbender está impecável e rouba a cena, mas ele não é o único bem na tela. Charlize Theron, em plena forma, entrega numa interpretação tão gélida e desligada de sentimentos que o roteiro faz questão de enfatizar isso, deixando isso explícito quando um dos tripulantes questiona se ela é um robô. De fato, Theron utiliza seu talento para parecer como tal – e consegue. Noomi Rapace vem ganhando cada vez mais destaque em Hollywood. Depois de despontar com a Lisbeth Salander na versão sueca de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres e a participação em Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras, a atriz de 32 anos tem sua melhor chance de brilhar sob os olhos do público mundial. Ela expressa em seu olhar e suas feições a felicidade partindo de sua fé inabalável, chocando-se com a fragilidade escondida por não poder ter filhos, somados à virada na reta final do longa-metragem precisando lutar contra dores físicas e psicológicas, além de enfrentar a ação como poucas. Uma atuação convincente e que se torna tão marcante quanto à de Sigourney Weaver em Alien – O Oitavo Passageiro.
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O filme conta não só com um elenco competente, mas também com uma produção de altíssima qualidade. Este é o longa mais belo de Scott. Os planos são belíssimos e os cenários são grandiosos. O 3D aqui ajuda a dar a dimensão que o trabalho merece. A fotografia aqui trabalha com uma tonalidade escura, um verde acinzentado, pesando a atmosfera do longa, auxiliando no tom soturno, além do clima de tensão que é atenuado com a trilha sonora, muito bem empregada.
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Contudo, Prometheus não é perfeito. Passa meio longe disso, na realidade. Um dos problemas aqui são os furos (bobos) no roteiro. São erros honestos, mas que atrapalham o curso da narrativa. Em uma das cenas, a personagem de Shaw entra num lugar porque sua roupa, após uma colisão, sofre danos e fica sem oxigênio. Alguns minutos depois, ela sai do lugar e a roupa não possui o mesmo problema de antes. Como todo bom roteiro de Damon Lindelof (roteirista e criador da série Lost), é claro que não são todas as perguntas que possuem respostas. De onde viemos, por exemplo, é respondido, mas ficam muitas questões a serem respondidas, sem contar as diferenças que quebram com os filmes da quadrilogia original. O final é previsível e não fecha o longa como se fosse um só, deixando claramente em aberto para uma continuação. Os fãs da mais pura ficção e dos primeiros Aliens com certeza irão se entreter mais com a película, mas não acredito que ela fique restrita à apenas este grupo. Prometheus poderia ir um pouco mais a fundo nas questões que aborda, mas não deixa de ser algo pensante, com uma qualidade de produção impecável e que traz a ficção científica para o grande público novamente.
Prometheus
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