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CINEMA

08/03/2016

O caminho tortuoso de Leonardo DiCaprio ao seu primeiro Oscar em O Regresso

Por Rodrigo Ramos

No úlimo dia 28, Alejandro González Iñarritu fez história no Oscar ao se tornar o terceiro diretor em 88 anos da premiação a conquistar o prêmio de melhor diretor duas vezes consecutivas. O Regresso, que estreou em 4 de fevereiro no Brasil, é o longa que laureou o diretor mexicano, em sua obra mais desafiadora até aqui.

O Regresso retrata a história, baseada em fatos, do guarda da fronteira Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), que acaba sendo atacado por um urso e é deixado para morrer por seus companheiros, em especial John Fitzgerald (Tom Hardy), designado a permanecer com ele, segundo ordens. Ambientado em 1823, o longa também retrata a exploração de estrangeiros nas terras de Montana e Dakota do Sul, incluindo aí o relacionamento problemático entre o homem branco e os indígenas.

 

 

Logo nos primeiros minutos, Iñárritu exibe seu talento em filmar planos sequências com êxito de sobra. A sequência inicial é tensa, com muito sangue e berros, do jeito que um bom faroeste deve ser. Não demora tanto para que a tão comentada cena do urso aconteça e ela é visceral, impactante, difícil de ser distinguida da realidade. Mérito do diretor, dos responsáveis pelos efeitos especiais e também de DiCaprio, que garante somente aí seu Oscar, com uma performance arrasadora.

Contudo, O Regresso começa a poupar o fôlego logo após a tal famigerada sequência. Assim como Glass fica impossibilitado de se mexer de qualquer maneira, a trama fica estagnada por vários minutos. O que resta é sofrimento por parte de Glass, sentindo dores física e emocional. A partir daí, o longa se respalda na luta pela sobrevivência no meio de terras geladas e nenhum recurso para o protagonista conseguir viver outro dia para obter sua vingança.

 

 

 

O sofrimento na cara de DiCaprio é evidente, talvez até mesmo pelo fato de Iñárritu provocar situações extremas ao protagonista ao submetê-lo às terras geladas do Canadá e Argentina, colocando-o dentro de uma carcaça real de um cavalo e até mesmo fazendo-o comer carne crua de animais. Em suma, o sofrimento é real. DiCaprio passa boa parte do filme gemendo, se arrastando, passando frio e comendo o que encontrar pela frente, refletindo sobre a vida e contemplando as paisagens de tirar o ar. Não dá para distinguir o que é atuação e o que é reação. O ator se esforça tanto para sentir a dor que o overacting é notável. Em uma cena chave, na qual ele presencia o assassinato de um personagem, DiCaprio revira os olhos, se contorce, espumeja e cospe. Não há sutileza alguma em sua atuação, numa das performances mais forçadas dos últimos tempos. Honestamente, acho uma pena que o seu tão aguardado Oscar venha em um papel que, sim, é desafiador, porém ele atua de forma exagerada e dificulta a conexão com o personagem, que tem pouquíssimo desenvolvimento e background para sustentá-lo.

Falando em falta de sustância, Fitzgerald, o antagonista da película, parece um vilão genérico. Sua rixa com Glass se inicia em um diálogo aleatório, em que Fitzgerald reclama da presença do filho de Glass, que é meio indígena. A partir disso, ele tem atitudes egoístas, provando ser capaz de causar tretas de graça, pensando unicamente em ganhar seu dinheiro. O personagem não tem nenhuma dimensão e Hardy se esforça para soar interessante e relevante para a trama, porém é apenas um dispositivo narrativo para o “mocinho” vencer o “bandido”, no melhor estilo faroeste – apesar de Iñárritu negar que o longa seja um, não se prendendo à gêneros, porque os “gêneros” vem da palavra “genérico”.

A jornada de Glass é quase uma desculpa para Iñárritu botar em prática aquilo que sabe fazer de melhor: ser pretensioso. Em uma clara ânsia de ganhar outro Oscar, catapultar sua nova obra em um clássico moderno e mostrar que é o melhor diretor de todos os tempos, em sua concepção particular, ele trouxe para a produção o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, que iniciou a parceria com Iñárritu em Birdman. Se tem uma qualidade inquestionável em O Regresso é o trabalho de fotografia. Os enquadramentos perfeitos e grandiosos, utilizando somente a luz natural em todos os takes, faz com que a experiência visual da película seja quase incomparável. O “quase” é porque Iñárritu claramente evoca Terrence Malick, possivelmente porque Lubezki trabalhou com este em suas últimas quatro películas, incluindo A Árvore da Vida.

Fica difícil definir o que é trabalho de Iñárritu ou de Lubezki, mas quem teve contato com a filmografia de Malick sabe que filmar com luz natural e ter enquadramentos que evidenciam o poder da natureza e quase emulam um sonho é algo corriqueiro nas parcerias entre o diretor de O Novo Mundo e o diretor de fotografia. Há ideias claras de outras películas de Malick com Lubezki presentes em O Regresso (veja nas fotos abaixo alguns exemplos). De uma forma quase bizarra, O Regresso parece uma continuação de O Novo Mundo, e consequentemente da história de Pocahontas e seu romance com um homem branco, principalmente pelo visual (graças a Lubezki) e a trama envolvendo o conflito dos brancos e dos indígenas – além do fato de Glass ter tido um caso com uma índia, o que resultou no nascimento de um filho. Também explica a sensação o fato de Iñárritu ter trazido para seu time a figurinista Jacqueline West e o desenhista de produção Jack Fisk, ambos companheiros de Lubezki em O Novo Mundo.

 

 

Com um visual grandioso, sacrifícios tanto da equipe quanto do elenco (foram nove meses de filmagem, com mudanças de locação e orçamento inchado) e a pretensão de ser o maior diretor da atualidade (afinal de contas, Iñárritu considera esta película excelente a ponto de ter que ser vista em um templo para ser apreciada), o estilo contemplativo agrega pouquíssimo para a narrativa, sustentando-se no talento do elenco e da produção do que de um roteiro propriamente dito – o que explica a ausência de uma indicação ao Oscar de melhor roteiro adaptado, apesar das 12 nomeações à premiação. Não que a escolha não seja interessante no ponto de vista artístico, o problema é que os cenários não ajudam a contar a história como possivelmente era o desejado — com o visual se sobrepondo à narrativa, sendo mais atrativo do que o protagonista — e a fluidez da película também atrapalha, se arrastando tanto quanto DiCaprio em cena. Em mais de duas horas e meia de duração, das quais não são justificáveis, o longa se preocupa mais em filmar belamente do que desenvolver sua narrativa, que na verdade tem uma trama simplória, a exemplo de qualquer longa sobre vingança (nomeie aqui qualquer filme estrelado pelo Steven Seagal).

Nas mãos de qualquer outro diretor, O Regresso seria apenas mais um filme, mas o hype em cima de Iñárritu cresce a cada ano, inexplicavelmente, tornando-o algo a ser aplaudido de pé, apesar de ser pomposo, rico em visual, mas ser vazio em seu interior. O diretor mexicano não está inventando a roda aqui. Ele apenas a gira como tantos outros já fizeram antes e ganha mais crédito por isso.

 

 

The Revenant

EUA, 2015 – 156 min

Drama | Faroeste

Direção:

Alejandro González Iñárritu

Roteiro:

Mark L. Smith, Alejandro González Iñárritu, baseado no romance de Michael Punke

Elenco:

Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Forrest Goodluck

 

 

 

 

 


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