![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
CINEMA'Cidade do Som' estreou no Festival de Sundance e teve uma ótima recepçãoDocumentário nostálgico mostra como em tese deveriam ser feitos os discosPor Rodrigo Ramos Desde o lançamento do disco Wasting Light, em 2011, o vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl, viu sua carreira tomar proporções ainda maiores. Ele foi considerado um dos salvadores do rock naquele momento – mesmo que dissesse que o rock não precisava ser salvo. O disco foi elogiado e venceu cinco prêmios Grammy (no mesmo ano em que Adele levou cinco, incluindo disco do ano por 21). Então Grohl acabou se tornando cada vez mais relevante no meio musical. O senhor que já foi baterista do Nirvana e Queens of the Stone Age, além de criador do Probot, agora tenta a sorte grande nos cinemas, mas sem deixar de lado o que ele mais ama: a música.
Cidade do Som (Sound City) estreou no Festival de Sundance e teve uma ótima recepção. Prova disso são os 100% de aprovação da crítica especializada no site Rotten Tomatoes. Os motivos para isso são de fácil compreensão. No documentário assinado por Grohl, ele conta a história de um local mítico da música nos Estados Unidos. O Sound City Studios é uma gravadora que fica localizada em Van Nuys, Los Angeles, existente desde 1969 e que ao longo de sua existência, recebeu mais de 100 certificados de disco de ouro e platina pelos álbuns feitos com o seu selo, incluindo aí discos antológicos de Johnny Cash, Tom Petty, Fleetwood Mac, Rage Against the Machine, entre outros.
O principal atrativo do estúdio é seu sistema de gravação analógica, feito através da mesa dos sonhos: uma Neve 8028 analógica. O Nirvana gravou o disco mais importante de sua carreira nesse estúdio, Nevermind, o que fez com que Grohl tivesse um sentimento afetivo pelo Sound City. Com o anúncio do fechamento do lugar por falta de condições do proprietário mantê-lo, Grohl resolveu comprar a tal mesa e fazer este documentário como forma de homenagem.
Grohl conta com uma malandragem típica de quem já é diretor há anos. A edição é ágil, sabendo que música colocar, a imagem que deve entrar, a duração perfeita entre um depoimento e outro. Nada é sobrecarregado e a direção consegue criar a pluralidade de vozes necessária para conseguir contar a história que se deseja. São vários os entrevistados e cada um adiciona uma peculiaridade à trama, já que estes artistas viveram exatamente isso. São as experiências de cada um deles que tornam o documentário tão interessante. Além do próprio estúdio, é um retrato de como funciona o espetáculo do rock n roll por trás dos microfones.
Uma tecla que Grohl bate forte aqui é a mudança do sistema analógico para o digital. O retrato vem em ordem cronológica, com o auge do estúdio, passando pelas dificuldades nos anos 80 com o início do novo processo de gravação que muitas gravadoras estavam adotando, mas que o Sound City Studios relutava e se negava a incorporar. O elemento humano, tanto para Grohl quanto para os entrevistados, seja Tom Petty, Neil Young ou Mick Fleetwood, é essencial. Mesmo quando Trent Reznor, criador do Nine Inch Nails, aparece com o seu som modificado por computadores, Grohl justifica. Apesar de ser algo digital, ele serve como um instrumento; Reznor cria a partir desta ferramenta, não a utilizando para melhoramento. Portanto, ele não engana o ouvinte, usando a tecnologia para adicionar e não substituir.
O documentário é nostálgico, mostrando como, em tese, deveriam ser feitos os discos. A música precisa ter alma, ter o toque de seus criadores em tudo. O erro de uma nota na guitarra, uma batida que não sai totalmente como deveria, a leve desafinação do vocalista. Estes pequenos escorregões transformam a música em algo humano e não feito por máquinas. E é nisso em que Grohl se baseia aqui, além de toda a paixão pelo rock n roll, partilhada por todos os entrevistados. De tão genuíno, o longa tem certos momentos que são até emocionantes, acertando o coração até do roqueiro mais durão.
Cidade do Som cresce a cada minuto de projeção e Grohl vai firmando cada vez mais suas convicções, inclusive quando convoca uma porrada de gente competente para gravar um disco na forma analógica, com a mesa do estúdio, e provar suas convicções iniciais. É um deleite a parte ver as colaborações com Stevie Nicks, Josh Homme, Trent Reznor e o sir Paul McCartney, além de todos os integrantes do Foo Fighters.
Dave Grohl parece que sabe muito bem o que está fazendo com sua carreira. Cidade do Som é certeiro em suas intenções, mostrando que Grohl é um diretor esforçado e promissor, além de reforçar seu talento como músico. De um moleque atrás de uma bateria, para o Festival de Sundance. E agora, qual será o próximo passo do salvador do rock? O filme está disponível em cópia digital em seu site oficial (http://buy.soundcitymovie.com) no valor de US$ 9,99, com legendas em oito idiomas, incluindo português.
Sound City
Direção:
|
2013JaneiroFevereiro Março Maio 2012JaneiroFevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 2011JaneiroFevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 2010MarçoAbril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro
|
||||||||||||||||||||||||||||||||
| Política de Privacidade | Sobre | Anuncie | Contato | |
Copyright © 2013 culture-se - Todos os Direitos Reservados. |
|